REGIME JURÍDICO ÚNICO: Pilar Do Fortalecimento Do Serviço Público

O Regime Jurídico Único (RJU), instituído pela Constituição de 1988, representou um grande avanço para a organização e fortalecimento do serviço público brasileiro. Este artigo visa elucidar os principais aspectos do RJU, destacando sua importância para a eficiência do serviço público.

O que é o Regime Jurídico Único?

O Regime Jurídico Único é o conjunto de normas e princípios que regulamenta a relação jurídica entre a administração pública e seus servidores. O RJU foi instituído pelo Art. 39 da Constituição Federal, pelo qual foi determinado a União, Estados e Municípios, que instituíssem em seus âmbitos de competência, um mesmo regime jurídico para todos os servidores públicos.

Antes da adoção do RJU, havia uma grande disparidade nas condições de trabalho e nos direitos dos servidores públicos, gerando ineficiências e injustiças. Com a implantação do RJU, buscou-se unificar e padronizar essas relações, garantindo direitos e deveres equânimes para todos os servidores públicos estatutários.

O RJU é implementado, geralmente, pela adoção do regime estatutário para os servidores públicos, em contraposição ao regime celetista. Todavia, o ente federativo (União, Estado ou Município), pode optar por estipular o regime celetista como regime jurídico único em seu âmbito.

Qual o impacto da Reforma Administrativa de 1998 no Regime Jurídico Único?

Em 1998 a Reforma Administrativa promovida pela Emenda Constitucional 19/98, com a finalidade de modernizar e dar mais eficiência para a administração pública, modificou o Art. 39 da Constituição Federal para extinguir a previsão de Regime Jurídico Único e possibilitar a adoção de mais de um regime para os servidores de um mesmo ente federativo. 

Essa medida surtiu efeito diametralmente oposto, trazendo insegurança, burocracia e dificuldades para a administração e injustiça para os servidores, pois diversos entes passaram a conviver simultaneamente com servidores estatutários e celetistas exercendo as mesmas atividades, mas com direitos e deveres funcionais e previdenciários totalmente distintos.

A disposição de extinção do Regime Jurídico Único foi suspensa por uma liminar concedida em agosto de 2007 na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Ação Direta de Inconstitucionalidade 2135, que esta em trâmite no Supremo Tribunal Federal aguardando julgamento.

Com essa liminar, desde 2007, voltou a vigorar a redação original do Art. 39 da Constituição Federal que estabelece a necessidade de implementação de Regime Jurídico Único em cada ente.

Qual a importância do Regime Jurídico Único para o Serviço Público? 

A importância do RJU para o serviço público brasileiro pode ser observada por diversos aspectos:

a. Uniformidade e Equidade das relações de trabalho: O RJU promove a uniformidade nas relações de trabalho, garantindo equidade e justiça nas carreiras dos servidores públicos.

b. Estabilidade e Eficiência do serviço Público: A estabilidade proporcionada pelo RJU é fundamental para garantir a continuidade e a eficiência dos serviços públicos, além de proteger os servidores de pressões políticas e arbitrariedades.

c. Profissionalização do Serviço Público: O RJU estimula a profissionalização dos servidores públicos, incentivando a formação continuada e condições isonômicas para a progressão das carreiras.

c. Transparência e Previsibilidade: O regime assegura transparência nas relações de trabalho e previsibilidade jurídica, tanto para os servidores quanto para a administração pública.

Quais os principais desafios para o Regime Jurídico Único?

Apesar de suas vantagens, o RJU enfrenta ainda deve enfrentar muitos desafios pela frente: 

A decisão da ADI 2135 ainda é incerta. A Relatora, Ministra Carmem Lucia votou pela inconstitucionalidade da modificação do Art. 39, mantendo o Regime Jurídico Único, e o Ministro Gilmar Mendes votou pela constitucionalidade da extinção do Regime Jurídico Único.

Além disso, a possibilidade de uma nova reforma administrativa proposta na PEC 32 também coloca em risco o Regime Jurídico Único dos Servidores, pois essa proposta restringe instrumentos importante para eficiência e transparência do RJU.

Considerações finais

O Regime Jurídico Único é essencial para o fortalecimento e eficiência do serviço público no Brasil. Ele não apenas garante direitos e deveres equitativos para os servidores, mas também assegura a eficiência, a transparência e a imparcialidade necessárias para um serviço público de qualidade. 

Quer saber mais? Entre em Contato por Whatsapp agora com a Guassú Advocacia.

Sobre o Autor: Rivadavio Guassú é formado em Direito pela PUC Campinas, é Especialista em Direito Civil e Processo pelo IEPG/INESP, MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cursou Extensão em Direito Constitucional na Universidade Federal Bahia (UFBA) e é Pós-Graduando em Direito Administrativo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP). Além disso, Rivadavio possui 15 anos de experiência na representação e defesa de servidores públicos.

Descubra mais sobre Guassu Advocacia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading